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Podemos dizer que, hoje, 3% a 5% das crianças em idade escolar no mundo inteiro lutam com problemas de falta de atenção, impulsividade e hiperatividade. Destas, 50% vão continuar a ter dificuldades na idade adulta. Venha descobrir como lidar com essas dificuldades.


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Professor, o que é mais difícil no trato com seu aluno com TDAH?

o comportamento hiperativo dele
despertar sua atenção
manter sua atenção no que está fazendo
evitar que seja agressivo com os colegas
fazer com que ele faça a lição de casa
fazer ele ler alto em sala
o estudo da Matemática
entender a letra dele
fazer com que ele leia lições e livros pedidos
evitar que ele interrompa você e os colegas
compreender o que ele escreve
o equilíbrio emocional dele
a ansiedade
a organização pessoal e dos trabalhos
a demora que ele demonstra nas atividades



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hiperatividade: Nossa História com o TDAH
Publicado em 15 de novembro de 2006 - 08:00:00
História enviada e comentada

Esta história não é nem um drama nem um sucesso, é apenas uma história de conquista de conhecimentos e de uma busca incansável de compreensão, que se iniciou nas simples observações de uma mãe quando sua filha era ainda um bebê e que continua até hoje, quase 9 anos depois .

Em 1992, casados há 3 anos, plenamente realizados, felizes e ansiosos pela chegada de nosso primeiro filho, demos à luz uma linda menina, que veio coroar aquele que até então seria o melhor e maior momento de nossas vidas e de nossas famílias

Seu desenvolvimento inicial foi um pouco difícil, pois, apesar de muita insistência para amamentá-la (afinal sou fonoaudióloga e sabia o quanto aquele momento era fundamental para nós duas!) e dela em sugar com vigor, meu leite era pouco. As mamadas foram completadas desde o início, porque ela não ganhava peso nem dormia, acordando a cada meia hora para mamar. Essa angústia inicial foi logo superada e, com um mês, já tínhamos um ritmo muito bom de alimentação e ela se desenvolvia plenamente. Porém, dormia pouco para um recém-nascido; seu sono era leve, acordava várias vezes, tinha muitas cólicas, o que parecia justificar o sono inquieto - pelo menos para o pediatra, que sempre dizia ser normal bebês dormirem pouco.





O tempo foi passando, seu desenvolvimento motor e global ocorria de forma tranqüila Notava apenas que dormia induzida; mesmo após inúmeras tentativas de fazê-la dormir sozinha, adormecia só no carrinho ou mesmo no meio de barulho.

Aos 7/8 meses, começou a acordar durante a madrugada, sempre bastante assustada, chorando e, mesmo quando aninhada e acolhida por mim ou por seu pai, parecia não nos ver ou ouvir. Essa situação se repetiu por várias vezes até mais de 1 ano, assim como seu sono, que se mantinha inconsistente, leve, como se não descansasse .

Aos 14 meses já andava, o desenvolvimento motor era pleno; aos 18 meses já subia e descia de tudo, demostrando grande independência e nenhum receio em cair. Com um ano e dez meses falava tudo com grande clareza; falava bastante, cantava e brincava muito bem com outras crianças. O sono, porém, continuava igual.

Iniciei um tratamento com florais de Bach e obtivemos um bom resultado por alguns meses. Sua dificuldade, agora, era lidar com a agressividade das outras crianças. No parquinho, jamais arrancava brinquedos dos outros e quando arrancavam dela, limitava-se a observar, chorar ou reclamar, mas sem tomar uma atitude ativa, mesmo com minha insistência e auxílio para lidar com essas situações .

Aos 2 anos entrou na escola e sua adaptação foi normal. Aos 2 anos e meio, começou a demostrar medo por bichos, que até então nunca havia tido; de bichos passou para bonecos, máscaras, fantasias, machucados ... enfim, variando apenas o elemento fóbico e demostrando grande ansiedade. Meu marido e eu, então, procuramos orientação psicológica, pois mesmo tendo conhecimento sobre desenvolvimento infantil, nada parecia dar certo ao tentarmos ajudá-la. Aos 4 anos, optamos por uma psicoterapia infantil, pois o quadro fóbico se acentuou. Fez terapia por 3 anos e meio, e o sintoma fóbico desapareceu .

Hoje, acredito que o quadro fóbico era apenas a manifestação de uma grande ansiedade e que, ao trabalhar os sintomas, a ansiedade mudou de foco e passou a se manifestar de outras maneiras. Nesse período, nunca apresentou qualquer dificuldade pedagógica ou de sociabilização. Observávamos, apenas, momentos de insegurança, que vêm sendo trabalhados de várias maneiras, até através de esportes - faz regularmente, todas as semanas, desde os 5 anos.

Percebemos que a organização, a rotina e os limites claros e precisos que tanto a escola como nós dávamos eram fundamentais para seu bem estar. Mesmo tentando discuti-los, transgredi-los e tendo dificuldades para acatá-los, ela se sentia bem e segura quando percebia que dávamos conta de sua insistência e teimosia, sem voltar atrás nas determinações e que, independentemente da situação e da maneira como atuasse, podíamos contê-la (isso observamos até hoje!). Desconfiamos, então, que talvez houvesse uma dificuldade em compreender o porquê de padrões, regras e limites - que todas as crianças questionam - mas que acabam aceitando.

Esse processo de aprendizado social parecia ser muito difícil, tínhamos a sensação que só acatava aquilo que fazia sentido para ela, que tinha algum significado para sua maneira de ver as coisas. Porém, como é necessário saber conviver no mundo em que vivemos, estávamos determinados a fazê-la entender e obedecer, mesmo chegando a situações de extremo desgaste emocional. Acreditávamos que ela evoluía no processo, além de perceber que ficava mais tranqüila e segura com nossa atitude.

Esse comportamento sempre foi passado como uma característica de personalidade psicóloga, ou seja, "ela é teimosa e até mesmo dominadora em algumas situações. Ela é assim e ponto !!!!" Isso nunca nos soou bem....Percebíamos que mudava, mas, para mim, o quebra cabeça não se encaixava ...não conseguia ver (e juro que eu queria!) aonde havíamos errado tanto. Não concordava que todas as suas atitudes eram voluntariosas, como nos era levado a crer. Até porque sempre nos chamou a atenção, desde pequena, sua afetividade, sensibilidade, bondade e percepção.

Sentíamos o quanto se angustiava em fazer coisas sem entender, como os tiques que sempre teve, como perder e não cuidar das coisas que gostava, as dificuldades em iniciar e concluir brincadeiras, em se manter envolvida por um tempo maior com as coisas que fazia e a constante "ebulição" interna . Essas características se mantiveram, mesmo após a alta da terapia .

Sua ansiedade, dificuldade em esperar pela vez, o tempo de atenção curto, a facilidade em se dispersar e a conversa excessiva só apareceram com clareza no final da primeira série, quando as exigências pedagógicas aumentaram .

No início de 2000, procuramos um neurologista e relatamos o que vivemos, sentimos, avaliamos e percebemos durante todos esses anos. Ele disse que eu já chegava com o diagnóstico de TDAH pronto e, por mais difícil que isso fosse para nós, eu já sabia o que ela tinha. Finalmente, nossas visões cegas, nossas percepções sofridas e as angústias de nossa filha tinham um nome e o peso de não saber o que era isso terminava aqui .

Tentamos 6 meses de medicação para estimulação cerebral (que não trouxe nenhum resultado) e mudamos radicalmente a conduta familiar, tentando entender cada situação e como devemos atuar no momento. Essa atuação é bastante conversada entre nós, ela e todos os que convivem com ela. Cada passo que dá sozinha frente às dificuldades mostramos que é uma conquista, e também não cansamos de valorizar aquilo que ela já tem de melhor .

Por opção nossa, paramos de medicá-la. Reiniciou a terapia psicológica com outra profissional, para poder se desenvolver melhor emocionalmente, aprendendo a lidar com as questões que envolvem o TDAH, e faz terapia fonoaudiológica, o que tem ajudado nas questões pedagógicas. Hoje, tira suas dúvidas escolares conosco diariamente - meu marido e eu vemos suas lições e trabalhamos com ela a fixação dos conteúdos aprendidos, tentando desenvolver independência e organização em seus deveres, pois responsabilidade ela sempre teve, mesmo em meio a tanta dificuldade .

Esse é um processo lento, longo, cansativo e difícil. Às vezes, há grande resistência da parte dela, às vezes, há a nossa falta de tempo, já que ambos trabalhamos o dia todo. No entanto, é prazeiroso para todos nós, pois sentimos sua evolução e a satisfação que tem em dar conta das coisas que antes pareciam tão complicadas e confusas. Tudo isso nos aproximou ainda mais pois, o que antes nos parecia "voluntariedade", hoje é o que nos faz ler, buscar e compreender cada vez mais a respeito do TDAH. Quanto ao sono e aos tiques, voltamos a tratar com Florais de Bach associados à medicina chinesa e temos observado pequenas e valiosas evoluções, como uma noite inteira bem dormida.

Quanto a nós, pais, crescemos infinitamente com nossos momentos de angústia, dúvida, cansaço, medo...Sabemos que o processo é contínuo, freqüente, mas certamente estamos aprendendo muito com essa maneira tão diferente de viver, ver e vencer a vida e, talvez, quem sabe seja essa a função de nossa doce e linda menina - nos ensinar algo.

Uma coisa é certa, ela já deu para seu irmão de 5 anos um presente: pais mais sensíveis, tolerantes, perceptivos e atentos e, quanto a isso, nossa família só tem a agradecer.

Cinthia Wilmers de Sá - 35 anos
São Paulo

Prezada Cinthia,

Seu relato revela o caminho tortuoso que muitos pais e crianças com TDAH enfrentam antes de chegar a um diagnóstico. As questões que freqüentemente acompanham esses pais são do tipo: "Onde errei? O que estou fazendo para deixar meu filho assim?" A angústia e a culpa são suas fiéis companheiras, e esses sentimentos só diminuem quando se chega a uma compreensão do que está acontecendo de "errado" com os filhos e com eles próprios. Neste momento, surge um novo olhar para o filho e para as situações, como aconteceu com vocês. Quando a luz se faz,tudo fica mais claro e, portanto, menos angustiante, embora não menos difícil.

Você mostra a grande dificuldade de encontrar um profissional atualizado em desenvolvimento infantil e TADH. Isto pode adiar, ainda mais, o esclarecimento do caso, pois acaba não fornecendo os subsídios necessários para uma melhora significativa. As explicações mais comumente relatadas são: "Vocês pais são muito exigentes. Criança é assim mesmo! É apenas uma fase, quando crescer isso passa. A criança quer chamar a atenção, está carente! Falta limite, vocês pais são muito condescendentes..." e por aí vai. Não que essas explicações não tenham procedência, mas sabemos que não é só isso que ocorre. Essa forma de entender é simplista, e em nada contribue para melhorar uma situação. Os pais necessitam de explicações claras e consistentes, não de explicações que refletem pequena intuição acerca do TDAH e suas conseqüências.

Outro ponto importante, Cinthia, é que alguns dos sintomas apresentados por sua filha durante o desenvolvimento não são apenas em função do TDAH, porque mesmo crianças sem TDAH apresentam insegurança, fobia, ansiedade, etc. É importante não atribuir tudo ao TDAH. O que pode acontecer é uma co-ocorrência de outros quadros, por exemplo, Transtorno de Ansiedade + TDAH. Temos que ficar atentos e diferenciar as coisas.

A questão da medicação é um fator que assombra os pais e é ponto de conflito, devido ao receio de possíveis efeitos colaterais: causa dependência? interfere no crescimento? Os pais devem esclarecer essas dúvidas com o médico, que informará sobre benefícios e desvantagens. A vontade dos pais, bem sei, é que seus filhos possam tomar algo mais natural e menos químico. Entretanto, as pesquisas mostram que, dependendo da intensidade dos sintomas e do prejuízo causado é, de fato, necessário o uso de medicação mais potente como, por exemplo, a Ritalina.

Você deixa claro também o desgaste emocional enfrentado pelos pais quando têm um filho com TDAH. Muitos pais sentem que sua energia foi "sugada" e que não há tempo suficiente para reposição. Istoé resultado do constante monitoramento, limites, direção e referências que a criança com TDAH tanto necessita.

Sabemos todos que a função dos pais é muito importante para qualquer criança, mais ainda para a criança com TDAH. Esta necessita de pais disponíveis "o tempo todo", para apoio, atenção e compreensão. Cinthia, você fala que, quando todo o esforço dispensado parecia perdido, vocês retomaram de novo e não desistiram. Essa é, realmente, uma das sensações que a criança com TDAH provoca: vontade de desitir de tudo! Mas vocês mostraram saber que, apesar das dificuldades sua filha dependia de doses cavalares de empenho e investimento emocional. Por outro lado, como você também percebeu, há um aspecto da criança com TDAH que é muito positivo e necessário à vida: ela é criativa, espontânea, tem saída rápida para situações difíceis e um potencial enorme para o mundo das idéias, pois sua vida mental é riquíssima. Devemos lembrar da citação de Morris, 1984: "Cada criança é como todas as crianças, como algumas crianças, e como nenhuma outra criança".

Parabéns pelo dedicação demonstrada.

Um abraço

Edyleine Bellini Peroni Benczik
Psicóloga Clínica


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