
Compreensão, Avaliação e Atuação: Uma Visão Geral sobre o TDAH
Data: 15 de novembro de 2006 - 08:00:00 Tópico: Aspectos gerais sobre o transtorno
Sam
Goldstein, PhD*
O Transtorno
de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é caracterizado por
uma constelação de problemas relacionados com falta de atenção,
hiperatividade e impulsividade. Esses problemas resultam de um
desenvolvimento não adequado e causam dificuldades na vida diária.
O TDAH é um distúrbio bio-psicossocial, isto é, parece haver fortes
fatores genéticos, biológicos, sociais e vivenciais que contribuem
para a intensidade dos problemas experimentados. Foi comprovado
que o TDAH atinge 3% a 5% da população durante toda a vida.
Diagnóstico precoce e tratamento adequado podem reduzir drasticamente
os conflitos familiares, escolares, comportamentais e psicológicos
vividos por essas pessoas. Acredita-se que, através de diagnóstico
e tratamento corretos, um grande número dos problemas, como repetência
escolar e abandono dos estudos, depressão, distúrbios de comportamento,
problemas vocacionais e de relacionamento, bem como abuso de drogas,
pode ser adequadamente tratado ou, até mesmo, evitado.
Até há algum
tempo atrás, pensava-se que os sintomas do TDAH diminuíam com
a adolescência. As pesquisas mostraram que a maioria das crianças
com TDAH chega à maturidade com um padrão de problemas muito similar
aos da infância e que adultos com TDAH experimentam dificuldades
no trabalho, na comunidade e com suas famílias. Também há registros
de um número maior de problemas emocionais, incluindo depressão
e ansiedade.
Em 1902, pesquisadores descreveram pela primeira vez as características
dos problemas de impulsividade, falta de atenção e hiperatividade
apresentados por crianças com TDAH. Desde então, o distúrbio
foi denominado de várias maneiras, entre elas, Disfunção Cerebral
Mínima, Reação Hipercinética da Infância e Distúrbio de Déficit
de Atenção. A 4ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, atualmente
descreve este conjunto de problemas como Transtorno de Déficit
de Atenção/Hiperatividade.
O Problema
O TDAH interfere na habilidade da pessoa de manter a atenção -
especialmente em tarefas repetitivas - de controlar adequadamente
as emoções e o nível de atividade, de enfrentar conseqüências
consistentemente e, talvez o mais importante, na habilidade de
controle e inibição. Inibição refere-se à capacidade de evitar
a expressão de forças poderosas que levam a agir sob o domínio
do impulso, de modo a permitir que haja tempo para o autocontrole.
As pessoas com TDAH até podem saber o que deve ser feito, mas
não conseguem fazer aquilo que sabem devido à inabilidade de realmente
poder parar e pensar antes de reagir, não importando o ambiente
ou a tarefa.
As características
do TDAH aparecem bem cedo para a maioria das pessoas, logo na
primeira infância. O distúrbio é caracterizado por comportamentos
crônicos, com duração de no mínimo 6 meses, que se instalam definitivamente
antes dos 7 anos. Atualmente, 4 subtipos de TDAH foram classificados:
1. TDAH -
tipo desatento - a pessoa apresenta, pelo menos, seis das seguintes
características:
-
Não
enxerga detalhes ou faz erros por falta de cuidado.
-
Dificuldade em manter a atenção.
-
Parece não ouvir.
-
Dificuldade em seguir instruções.
-
Dificuldade na organização.
-
Evita/não gosta de tarefas que exigem um esforço
mental prolongado.
-
Freqüentemente perde os objetos necessários para
uma atividade.
-
Distrai-se com facilidade.
-
Esquecimento nas atividades diárias.
2. TDAH -
tipo hiperativo/impulsivo - é definido se a pessoa apresenta seis
das seguintes características:
-
Inquietação,
mexendo as mãos e os pés ou se remexendo na cadeira.
-
Dificuldade em permanecer sentada.
-
Corre sem destino ou sobe nas coisas excessivamente (em adultos,
há um sentimento subjetivo de inquietação).
-
Dificuldade em engajar-se numa atividade silenciosamente.
-
Fala excessivamente.
-
Responde a perguntas antes delas serem formuladas.
-
Age como se fosse movida a motor.
-
Dificuldade em esperar sua vez.
-
Interrompe e se intromete.
3. TDAH -
tipo combinado - é caracterizado pela pessoa que apresenta os
dois conjuntos de critérios dos tipos desatento e hiperativo/impulsivo.
4. TDAH -
tipo não específico; a pessoa apresenta algumas características
mas número insuficiente de sintomas para chegar a um diagnóstico
completo. Esses sintomas, no entanto, desequilibram a vida diária.
Na idade escolar, crianças com TDAH apresentam uma maior probabilidade
de repetência, evasão escolar, baixo rendimento acadêmico e dificuldades
emocionais e de relacionamento social. Supõe-se que os sintomas
do TDAH sejam catalisadores, tornando as crianças vulneráveis
ao fracasso nas duas áreas mais importantes para um bom desenvolvimento
- a escola e o relacionamento com os colegas.
À medida que cresce o conhecimento médico, educacional, psicológico
e da comunidade a respeito dos sintomas e dos problemas ocasionados
pelo TDAH, um número cada vez maior de pessoas está sendo corretamente
identificado, diagnosticado e tratado. Mesmo assim, suspeita-se
que um grupo significativo de pessoas com TDAH ainda permanece
não identificado ou com diagnóstico incorreto. Seus problemas
se intensificam e provocam situações muito difíceis no confronto
da vida normal.
O TDAH é com freqüência apresentado, erroneamente, como um tipo
específico de problema de aprendizagem. Ao contrário, é um distúrbio
de realização. Sabe-se que as crianças com TDAH são capazes de
aprender, mas têm dificuldade em se sair bem na escola devido
ao impacto que os sintomas do TDAH têm sobre uma boa atuação.
Por outro lado, 20% a 30% das crianças com TDAH também apresentam
um problema de aprendizagem, o que complica ainda mais a identificação
correta e o tratamento adequado. Pessoas que apresentaram sintomas
de TDAH na infância demonstraram uma probabilidade maior de desenvolver
problemas relacionados com comportamento opositivo desafiador,
delinqüência, transtorno de conduta, depressão e ansiedade.
Os pesquisadores, no entanto, sugerem que o resultado desastroso
apresentado por alguns adolescentes não é uma conseqüência apenas
do TDAH mas, antes, uma combinação de TDAH com outros transtornos
de comportamento, especialmente nos jovens ligados a atitudes
criminosas e abuso de substâncias.
Relatos sobre adultos com TDAH mostram que eles enfrentam problemas
sérios de comportamento anti-social, desempenho educacional e
profissional pouco satisfatórios, depressão, ansiedade e abuso
de substâncias. Infelizmente, muitos adultos de hoje não foram
diagnosticados como crianças com TDAH. Cresceram lutando com
uma deficiência que, freqüentemente, passou sem diagnóstico,
foi mal diagnosticada ou, então, incorretamente tratada.
A maioria dos adultos com TDAH apresenta sintomas muito similares
aos apresentados pelas crianças. São freqüentemente inquietos,
facilmente distraídos, lutam para conseguir manter o nível de
atenção, são impulsivos e impacientes. Suas dificuldades em manejar
situações de “stress” levam a grandes demonstrações de emoção.
No ambiente de trabalho, é possível que não consigam alcançar
boa posição profissional ou status compatível com sua educação
familiar ou habilidade intelectual.
Causa
Quando se pensa em TDAH, a responsabilidade sobre a causa geralmente
recai sobre toxinas, problemas no desenvolvimento, alimentação,
ferimentos ou malformação, problemas familiares e hereditariedade.
Já foi sugerido que essas possíveis causas afetam o funcionamento
do cérebro e, como tal, o TDAH pode ser considerado um distúrbio
funcional do cérebro. Pesquisas mostram diferenças significativas
na estrutura e no funcionamento do cérebro de pessoas com TDAH,
particularmente nas áreas do hemisfério direito do cérebro, no
córtex pré-frontal, gânglios da base, corpo caloso e cerebelo.
Esses estudos estruturais e metabólicos, somados a estudos genéticos
e sobre a família, bem como a pesquisas sobre reação a drogas,
demonstram claramente que o TDAH é um transtorno neurobiológico.
Apesar da intensidade dos problemas experimentados pelos portadores
do TDAH variar de acordo com suas experiências de vida, está claro
que a genética é o fator básico na determinação do aparecimento
dos sintomas do TDAH.
Diagnóstico
O diagnóstico do TDAH é um processo de múltiplas facetas. Diversos
problemas biológicos e psicológicos podem contribuir para a manifestação
de sintomas similares apresentados por pessoas com TDAH. Por
exemplo, a falta de atenção é uma das 9 características do processo
de depressão. Impulsividade é uma descrição típica de delinqüência.
O diagnóstico de TDAH pede uma avaliação ampla . Não se pode
deixar de considerar e avaliar outras causas para o problema,
assim, é preciso estar atentos à presença de distúrbios concomitantes
(comorbidades). O aspecto mais importante do processo de diagnóstico
é um cuidadoso histórico clínico e desenvolvimental. A avaliação
do TDAH inclui, freqüentemente, um levantamento do funcionamento
intelectual, acadêmico, social e emocional. O exame médico também
é importante para esclarecer possíveis causas de sintomas semelhantes
aos do TDAH (por exemplo, reação adversa à medicação, problemas
de tiróide, etc.) O processo de diagnóstico deve incluir dados
recolhidos com professores e outros adultos que, de alguma maneira,
interagem de maneira rotineira com a pessoa sendo avaliada. Embora
se tenha tornado prática popular testar algumas habilidades como
resolução de problemas, trabalhos de computação e outras, a validade
dessa prática bem como sua contribuição adicional a um diagnóstico
correto continuam a ser analisadas pelos pesquisadores.
No diagnóstico de adultos com TDAH, mais importante ainda é conseguir
o histórico cuidadoso da infância, do desempenho acadêmico, dos
problemas comportamentais e profissionais. À medida que aumenta
o reconhecimento de que o transtorno é permanente durante a vida
da pessoa, os métodos e questionários relacionados com o diagnóstico
de um adulto com TDAH estão sendo padronizados e se tornando cada
vez mais acessíveis.
Tratamento
O tratamento de crianças com TDAH exige um esforço coordenado
entre os profissionais das áreas médica, saúde mental e pedagógica,
em conjunto com os pais. Esta combinação de tratamentos oferecidos
por diversas fontes é denominada de intervenção multidisciplinar.
Um tratamento com esse tipo de abordagem inclui:
-
treinamento
dos pais quanto à verdadeira natureza do TDAH e em desenvolvimento
de estratégias de controle efetivo do comportamento;
-
um
programa pedagógico adequado;
-
aconselhamento individual e familiar, quando necessário, para
evitar o aumento de conflitos na família;
-
uso
de medicação, quando necessário.
Os medicamentos mais utilizados para o controle dos sintomas do
TDAH são os psicoestimulantes; 70% a 80% das crianças e dos adultos
com TDAH apresentam uma resposta positiva. Esse tipo de medicamento
é considerado “performance
enhancer”. Portanto, eles podem, até certo ponto, estimular
a performance de todas as pessoas. Mas, em razão do problema
específico que apresentam, crianças com TDAH apresentam uma melhora
dramática, com redução do comportamento impulsivo e hiperativo
e aumento da capacidade de atenção.
O controle do comportamento é uma intervenção importante para
crianças com TDAH. O uso eficiente do reforço positivo combinado
com punições num modelo denominado “custo de resposta” tem sido
uma maneira particularmente bem sucedida de lidar com crianças
portadoras do transtorno.
O sucesso na sala de aula freqüentemente exige uma série de intervenções.
A maioria das crianças com TDAH pode permanecer na classe normal,
com pequenos arranjos na arrumação da sala, utilização de um auxiliar
e/ou programas especiais a serem utilizados fora da sala de aula.
As crianças com problemas mais sérios exigem salas de aulas especiais.
Os adultos com TDAH apresentam resposta aos estimulantes e outros
medicamentos semelhante à das crianças. Eles também podem se
beneficiar aprendendo a estruturar seu meio ambiente, desenvolvendo
hábitos organizacionais e procurando um aconselhamento profissional.
Quando necessário, uma psicoterapia de curto prazo pode ajudar
a enfrentar as exigências da vida e os problemas pessoais do momento.
Terapias mais prolongadas podem ensinar a mudar comportamentos
e a criar estratégias de enfrentamento a pessoas que apresentam
uma combinação de TDAH e problemas concomitantes - especialmente
depressão.
Aumenta a cada dia o reconhecimento da eficiência dos tratamentos
na redução dos sintomas imediatos apresentados por pessoas com
TDAH. Os pesquisadores, no entanto, acreditam que somente reduzir
os sintomas das crianças com TDAH não traz resultados satisfatórios
a longo prazo. Assim, aumenta a consciência de que os fatores
que predispõem todas as crianças à uma vida bem sucedida são especialmente
importantes para as crianças que apresentam problemas relacionados
a distúrbios como o TDAH. Há uma maior aceitação da necessidade
de “equilibrar a balança” para as pessoas com TDAH. Portanto,
os tratamentos são aplicados para permitir alívio dos sintomas
enquanto se trabalha no sentido de assistir a pessoa a construir
uma vida bem sucedida. A máxima “tornar as tarefas interessantes
e fazer o pagamento valer a pena” parece ser extremamente importante
para as pessoas com TDAH.
Pais
Programas de treinamento para pais de crianças com TDAH freqüentemente
começam com ampla divulgação de informação. Existe uma grande
quantidade de livros, vídeos e fitas disponíveis com dados a
respeito do transtorno em si e de estratégias efetivas que podem
ser usadas por familiares. A lista que segue revê nove pontos
de uma série de estratégias que podem ajudar os pais de crianças
portadoras de TDAH (Goldstein e Goldstein, 1998).
1. Aprender o que é TDAH
* Os pais devem compreender que, para poder controlar em casa
o comportamento resultante do TDAH, é preciso ter um conhecimento
correto do distúrbio e suas complicações.
2. Incapacidade de compreensão versus rebeldia
* Os pais devem desenvolver a capacidade de distinguir entre
problemas que resultam de incapacidade e problemas que resultam
de recusa ativa em obedecer ordens. Os primeiros devem ser tratados
através da educação e desenvolvimento de habilidades. Os outros
são resolvidos de maneira satisfatória através de manipulação
das conseqüências.
3. Dar instruções positivas
* Pais devem cuidar para que seus pedidos sejam feitos de maneira
positiva ao invés de negativa. Uma indicação positiva mostra
para a criança o que deve começar a ser feito e evita que ela
focalize em parar o que está fazendo.
4. Recompensar
* Os pais devem recompensar amplamente o comportamento adequado.
Crianças com TDAH exigem respostas imediatas, freqüentes, previsíveis
e coerentemente aplicadas ao seu comportamento. Da mesma maneira,
necessitam de mais tentativas para aprender corretamente. Quando
a criança consegue completar uma tarefa ou realiza alguma coisa
corretamente, deve ser recompensada socialmente ou com algo tangível
mais freqüentemente que o normal.
5. Escolher as batalhas
* Os pais deveriam escolher quando e como gastar suas energias
numa batalha, sempre reforçando o positivo, aplicando conseqüências
imediatas para comportamentos que não podem se ignorados e usando
o sistema de créditos ou pontos. É essencial que os pais estejam
sempre um passo a frente.
6. Usar técnicas de “custo de resposta”
* Os pais devem entender bem o que seja “custo de resposta”,
uma técnica de punição em que se pode perder o que se ganhou.
7. Planejar adequadamente
* Os pais devem aprender a reagir aos limites de seu filho
de maneira positiva e ativa. Aceitar o diagnóstico de TDAH significa
aceitar a necessidade de fazer modificações no ambiente da criança.
A rotina deve ser consistente e raramente variar. As regras devem
ser dadas de maneira clara e concisa. Atividades ou situações
em que já ocorreram problemas devem ser evitadas ou cuidadosamente
planejadas.
8. Punir adequadamente
* Os pais devem compreender que a punição sozinha não irá
reduzir os sintomas de TDAH. Punir deve ser uma atitude diretamente
relacionada apenas a um comportamento declaradamente desobediente.
No entanto, a punição só trará modificação de comportamento para
crianças com TDAH se acompanhada de uma estratégia de controle.
9. Construir ilhas de competência
* O que realmente importa para o sucesso dessa criança na vida
é o que existe de certo com ela e não o que está errado. Cada
vez mais, a área da saúde mental focaliza seu trabalho em aumentar
os pontos fortes em vez de tentar diminuir os pontos fracos.
Uma das melhores maneiras de criar pontos fortes é uma boa relação
dos pais com seu filho.
Escola
Uma sala de aula eficiente para crianças desatentas deve ser
organizada e estruturada. A estrutura supõe regras claras, um
programa previsível e carteiras separadas. Os prêmios devem ser
coerentes e freqüentes. Um programa de reforço baseado em ganho
e perda deve ser parte integral do trabalho da classe. A avaliação
do professor deve ser freqüente e imediata. Interrupções e pequenos
incidentes têm menores conseqüências se ignorados. O material
didático deve estar adequado à habilidade da criança. Estratégias
cognitivas que facilitam a auto-correção, assim como melhoram
o comportamento nas tarefas, devem ser ensinadas. As tarefas
devem variar, mas continuar sendo interessantes para os alunos.
Os horários de transição, bem como os intervalos e reuniões especiais,
devem ser supervisionados. Pais e professores devem manter uma
comunicação freqüente. Os professores também precisam estar atentos
à qualidade de reforço negativo do seu comportamento. As expectativas
devem ser adequadas ao nível de habilidade da criança e deve-se
estar preparado para mudanças.
Os professores devem ter conhecimento do conflito incompetência
x desobediência, e aprender a discriminar entre os dois tipos
de problema. É preciso desenvolver um repertório de intervenções
para poder atuar eficientemente no ambiente da sala de aula de
uma criança com TDAH. Essas intervenções minimizam o impacto
negativo do temperamento da criança. Um segundo repertório de
intervenções deve ser desenvolvido para educar e melhorar as habilidades
deficientes da criança com TDAH.
Dois livros excelentes para professores em sala de aula, que oferecem
uma visão de situação, assunto e intervenções de acordo com os
diversos níveis, são: “How to Reach and Teach ADD/ADHD Children”,
de Sandra Rief, e “Attention Deficit Disorder: Strategies for
School Age Children”, de Clare Jones. O novo texto de George
DuPaul e Gary Stoner, “ADHD in the Schools”, é altamente recomendado
para supervisores.
Um ótimo manual para estratégias de sala de aula para crianças
com TDAH foi recentemente publicado pelo Council for Exceptional
Children (Conselho para as Crianças Excepcionais) - “Attention
Deficit Disorder: Identification, Programs and Interventions”.
O manual foi redigido por Ron Reeve, Ph.D. e seus colegas da Universidade
da Virginia, e traz dados bastante atualizados. Informação de
como receber esse material nos seguintes endereços:
Council for Exceptional Children
1920 Association Drive, Dept. 9945D
Reston, VA. 22091
ou
Ronald Reeve,
Ph.D.
Department
of School Psychology, University of Virginia
405
Emmett Street, Rfner Hall
Charlottesville, VA. 22903-2495
Sugestões
para Intervenções do Professor
Há uma grande variedade de intervenções específicas que o
professor pode fazer para ajudar a criança com TDAH a se ajustar
melhor à sala de aula:
- Proporcionar
estrutura, organização e constância (exemplo: sempre a mesma arrumação
das cadeiras ou carteiras, programas diários, regras claramente
definidas)
- Colocar a
criança perto de colegas que não o provoquem, perto da mesa do
professor, na parte de fora do grupo.
- Encorajar
freqüentemente, elogiar e ser afetuoso, porque essas crianças
desanimam facilmente. Dar responsabilidades que elas possam cumprir
faz com que se sintam necessárias e valorizadas. Começar com
tarefas simples e gradualmente mudar para mais complexas.
- Proporcionar
um ambiente acolhedor, demonstrando calor e contato físico de
madeira equilibrada e, se possível, fazer os colegas também terem
a mesma atitude.
- Nunca provocar
constrangimento ou menosprezar o aluno.
-
Proporcionar
trabalho de aprendizagem em grupos pequenos e favorecer oportunidades
sociais.Grande
parte das crianças com TDAH consegue melhores resultados acadêmicos,
comportamentais e sociais quando
no meio de grupos pequenos.
- Comunicar-se
com os pais. Geralmente, eles sabem o que funciona melhor para
o seu filho.
- Ir devagar
com o trabalho. Doze tarefas de 5 minutos cada uma traz melhores
resultados do que duas tarefas de meia hora. Mudar o ritmo ou
o tipo de tarefa com freqüência elimina a necessidade de ficar
enfrentando a inabilidade de sustentar a atenção, e isso vai ajudar
a auto-percepção.
- Favorecer
oportunidades para movimentos monitorados, como uma ida à secretaria,
levantar para apontar o lápis, levar um bilhete para o professor,
regar as plantas ou dar de comer ao mascote da classe.
- Adaptar suas
expectativas quanto à criança, levando em consideração as deficiências
e inabilidades decorrentes do TDAH. Por exemplo, se o aluno tem
um tempo de atenção muito curto, não esperar que ele se concentre
em apenas uma tarefa durante todo o período da aula.
- Recompensar
os esforços, a persistência e o comportamento bem sucedido ou
bem planejado.
-
Proporcionar
exercícios de consciência e treinamento dos hábitos sociais
da comunidade. Avaliação freqüente sobre o impacto do comportamento
da criança sobre ela mesma e sobre os outros ajuda bastante.
- Favorecer
freqüente contato aluno/professor. Isto permite um “controle”
extra sobre a criança com TDAH, ajuda-a a começar e continuar
a tarefa, permite um auxílio adicional e mais significativo, além
de possibilitar oportunidades de reforço positivo e incentivo
para um comportamento mais adequado.
-
Colocar
limites claros e objetivos; ter uma atitude disciplinar equilibrada
e proporcionar avaliação freqüente, com sugestões concretas
e que ajudem a desenvolver um comportamento adequado.
- Assegurar
que as instruções sejam claras, simples e dadas uma de cada vez,
com um mínimo de distrações.
- Evitar segregar
a criança que talvez precise de um canto isolado com biombo para
diminuir o apelo das distrações; fazer do canto um lugar de recompensa
para atividades bem feitas em vez de um lugar de castigo.
-
Desenvolver
um repertório de atividades físicas para a turma toda, como
exercícios de alongamento ou isométricos.
- Estabelecer
intervalos previsíveis de períodos sem trabalho que a criança
pode ganhar como recompensa por esforço feito. Isso ajuda a aumentar
o tempo da atenção concentrada e o controle da impulsividade através
de um processo gradual de treinamento.
- Reparar se
a criança se isola durante situações recreativas barulhentas.
Isso pode ser um sinal de dificuldades de coordenação ou auditivas
que exigem uma intervenção adicional.
-
Preparar
com antecedência a criança para as novas situações. Ela é muito
sensível em relação às suas deficiências e facilmente se assusta
ou se desencoraja.
-
Desenvolver
métodos variados utilizando apelos sensoriais diferentes (som,
visão, tato) para ser bem sucedido ao ensinar uma criança com
TDAH. No entanto, quando as novas experiências envolvem uma
miríade de sensações (sons múltiplos, movimentos, emoções ou
cores), esse aluno provavelmente irá precisar de tempo extra
para completar sua tarefa.
- Não ser mártir!
Reconhecer os limites da sua tolerância e modificar o programa
da criança com TDAH até o ponto de se sentir confortável. O fato
de fazer mais do que realmente quer fazer traz ressentimento e
frustração.
- Permanecer
em comunicação constante com o psicólogo ou orientador da escola.
Ele é a melhor ligação entre a escola, os pais e o médico.
Prognóstico
Crianças com
TDAH estão sujeitas ao fracasso escolar, a dificuldades emocionais
e a um desempenho significativamente negativo como adultos quando
comparadas a seus colegas. No entanto, a identificação precoce
do problema, seguida de tratamento adequado, tem demonstrado que
essas crianças podem vencer os obstáculos.
O tópico TDAH
provavelmente continuará sendo o mais amplamente pesquisado e
debatido nas áreas da saúde mental e desenvolvimento da criança.
Coisas novas acontecem a cada dia. O Instituto Nacional de Saúde
Mental acaba de completar um estudo multidisciplinar de 5 anos
sobre tratamento de TDAH que proporciona uma série de respostas
mais abrangentes sobre o diagnóstico, tratamento e desenvolvimento
de pessoas portadoras de TDAH. Os estudos sobre genética molecular
possivelmente cheguem a identificar o gene relacionado com esse
distúrbio.
Com a crescente
conscientização e compreensão da comunidade em relação ao impacto
significativo que os sintomas do TDAH têm sobre as pessoas e suas
famílias, o futuro parece mais promissor.
* Sam Goldstein é psicólogo, diretor do Centro de Neurologia, Aprendizagem e Comportamento em Salt Lake City, Utah, USA, autor de inúmeros livros sobre TDAH.
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